Na parábola do semeador, a semente é a mesma e o semeador é o mesmo. A diferença está no solo. Jesus nos convida a olhar para o próprio coração e perguntar: o que estou fazendo com a Palavra que ouvi?
Na semana passada, vimos que todos nós vamos responder diante de Jesus. Ele se comprometeu conosco entregando a vida na cruz, e agora, diante da verdade que recebemos, precisamos escolher: nos entregamos a Ele ou não? Aceitamos a sua Palavra ou a rejeitamos?
A parábola do semeador, em Mateus 13, fala exatamente dessa resposta.
"O semeador saiu a semear." (Mateus 13:3)
A semente foi lançada, mas caiu em terrenos diferentes. A semente é a Palavra; os terrenos representam a condição do coração de quem a ouve. E repare: a diferença nos resultados não estava na semente nem no semeador. Estava no solo.
Jesus, o semeador
Antes de contar a parábola, Jesus já vinha semeando. Ensinava no monte (Mateus 5:1-2), percorria cidades e povoados pregando o evangelho do Reino e curando (Mateus 9:35). Chamava ao arrependimento, confrontava o pecado e revelava a vontade de Deus.
No capítulo anterior, alguns receberam a Palavra dele. Outros o acusaram e ainda pediram: "Mestre, queremos ver um sinal miraculoso feito por ti" (Mateus 12:38). Estavam diante da verdade e continuavam procurando desculpas para não crer.
E no mesmo dia, Jesus se sentou num barco à beira do mar e continuou semeando para uma multidão (Mateus 13:1-2). Todos ouviam a mesma Palavra. Nem todos respondiam da mesma forma.
A Palavra revela o coração
Jesus fala de quatro solos. Mais do que quatro grupos de pessoas, Ele está descrevendo quatro condições em que o coração pode estar. E qualquer um de nós pode passar por elas.
O coração endurecido
Parte da semente caiu à beira do caminho, e as aves a comeram (Mateus 13:4). Jesus explica: quando alguém ouve a mensagem do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado (Mateus 13:19).
"Não entende" aqui não é falta de inteligência. Pouco antes, Jesus tinha citado Isaías: o coração deste povo se tornou insensível; ouviram de má vontade e fecharam os próprios olhos. Se não fosse assim, poderiam entender com o coração, se converter, e Ele os curaria (Mateus 13:15).
Veja a sequência: o coração endureceu, eles ouviram de má vontade, fecharam os olhos, não entenderam e, por isso, não se converteram. A falta de entendimento era fruto de resistência, não de capacidade.
O coração endurecido ouve, mas não deixa a Palavra entrar. É confrontado, mas não se arrepende. Conhece a verdade, mas decide não aceitá-la.
O coração superficial
Outra parte caiu em terreno pedregoso. É quem ouve a Palavra e logo a recebe com alegria, mas, como não tem raiz em si mesmo, dura pouco. Quando vem a dificuldade ou a perseguição, desiste (Mateus 13:20-21).
Esse coração se emociona, mas não se aprofunda. Não basta receber Jesus com emoção; é preciso permanecer nele com convicção. Um compromisso sem raízes não resiste às provações.
O coração dividido
Outra parte caiu entre espinhos. É quem ouve a Palavra, mas as preocupações desta vida e o engano das riquezas a sufocam, e ela não dá fruto (Mateus 13:22).
A semente entrou e começou a crescer, mas havia outras coisas disputando o mesmo espaço: as preocupações, o desejo de ter mais, as ambições pessoais, os valores deste mundo.
O problema não foi não ouvir. Foi tentar receber a Palavra sem arrancar os espinhos. Não podemos escolher Cristo e continuar alimentando tudo o que sufoca a nossa comunhão com Ele.
O bom solo
"Quanto ao que foi semeado em boa terra, este é aquele que ouve a palavra e a entende, e dá uma colheita de cem, sessenta e trinta por um." (Mateus 13:23)
O bom solo ouviu a mesma Palavra que os outros, mas respondeu de outro jeito.
Ele recebe. O coração não está fechado para Deus. Deixa a Palavra confrontar, corrigir e transformar.
Ele permanece. A semente cria raízes. "Assim como vocês receberam Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver nele, enraizados e edificados nele." (Colossenses 2:6-7) Não basta começar com Jesus; é preciso continuar vivendo nele.
Ele frutifica. A prova de que a Palavra foi recebida de verdade é uma vida transformada. A semente que entra no coração aparece no caráter, na obediência, nos relacionamentos, no jeito de falar e de viver. Não somos salvos pelos frutos, mas quem recebeu a vida de Cristo inevitavelmente começa a dar frutos.
E o meu coração?
Em todos os terrenos a semente foi lançada. Todos ouviram. Mas cada coração escolheu como responder. Alguns rejeitaram. Outros receberam superficialmente. Outros deixaram o mundo sufocar a Palavra. E alguns receberam, permaneceram e frutificaram.
"Aquele que tem ouvidos, ouça!" (Mateus 13:9)
Jesus não contou essa parábola só para explicar por que algumas pessoas rejeitam o evangelho. Contou para que cada um de nós examine o próprio coração.
Confesso que, ao longo da minha caminhada, já me reconheci em mais de um desses solos. Houve tempos de dureza, tempos de entusiasmo sem raiz e tempos em que os espinhos ocuparam espaço demais. A boa notícia é que Deus é o lavrador que sabe preparar a terra.
A pergunta é: o que estou fazendo com a Palavra que ouvi?
A semente já foi lançada. A verdade já chegou. Cristo já foi apresentado diante de nós. Não podemos culpar o semeador nem dizer que a semente não chegou. "Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos." (Tiago 1:22)
O que nos cabe é preparar o coração, receber a Palavra, permanecer em Cristo e dar frutos.
Que a nossa oração hoje seja esta: Senhor, tira de mim toda dureza, superficialidade e divisão. Faz do meu coração uma boa terra, onde a tua Palavra possa crescer e dar fruto.