Na cruz, Jesus se comprometeu conosco até o fim. Diante desse amor, ninguém permanece neutro: a Ceia nos lembra da aliança e nos coloca diante de uma escolha entre a vida com Cristo e o caminho deste mundo.
A Ceia do Senhor é uma celebração de aliança. Toda vez que tomamos o pão e o cálice, lembramos que Jesus não apenas declarou o seu amor por nós: Ele se comprometeu conosco até a morte.
Na cruz, Jesus entregou o corpo, derramou o sangue e tomou sobre si a condenação que deveria cair sobre nós. O compromisso dele não ficou nas palavras; foi selado com sacrifício. "Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vocês." (Lucas 22:20)
Em João 14, pouco antes de ser preso, Jesus fala aos discípulos sobre amor, obediência e relacionamento. Mostra que a partida dele não seria abandono, mas o começo de uma comunhão ainda mais profunda: "Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês." (João 14:18)
A cruz revela o compromisso de Jesus conosco. Mas também nos coloca diante de uma pergunta: qual é o nosso compromisso com Ele?
Jesus se comprometeu conosco
"Porque eu vivo, vocês também viverão." (João 14:19)
A nossa esperança não se apoia no nosso esforço, mas no que Jesus fez por nós. E Ele se comprometeu de três maneiras.
Entregou a própria vida no nosso lugar. "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos." (João 15:13) Jesus não deu apenas alguma coisa; deu a si mesmo. Tomou o nosso lugar, recebeu a nossa condenação e pagou toda a nossa dívida. "Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores." (Romanos 5:8)
Derramou o seu sangue para firmar uma nova aliança. "Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados." (Mateus 26:28) Aliança envolve compromisso, fidelidade e pertencimento. Quando participamos da Ceia, anunciamos que pertencemos àquele que entregou o corpo e derramou o sangue por nós.
E prometeu permanecer conosco. "Naquele dia compreenderão que estou em meu Pai, vocês em mim, e eu em vocês." (João 14:20) Jesus não morreu só para nos perdoar, mas para nos trazer para perto de Deus. O evangelho não é só uma mudança de destino; é o começo de um relacionamento.
A cruz é a maior prova de que Jesus levou a sério o compromisso dele conosco.
O nosso compromisso aparece na obediência
"Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama." (João 14:21)
Jesus não separa amor de obediência. Podemos cantar que o amamos, dizer que cremos nele e participar da Ceia. Mas o nosso compromisso de verdade aparece na forma como vivemos.
"Se alguém me ama, obedecerá à minha palavra." (João 14:23) Obediência não é tentar comprar o amor de Deus. É a resposta de quem já foi alcançado por esse amor. Não obedecemos para ser amados; obedecemos porque fomos amados.
E obediência exige renúncia. "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me." (Lucas 9:23) Seguir Jesus é mais do que admirá-lo. Compromisso significa que nem sempre faremos o que queremos, porque decidimos viver segundo a vontade daquele a quem pertencemos.
Não existe neutralidade
Jesus disse: "Aquele que não está comigo é contra mim." (Mateus 12:30) Diante de Cristo, ninguém permanece verdadeiramente neutro. Ignorá-lo também é uma decisão. Rejeitá-lo também é uma escolha. E todos nós, um dia, vamos comparecer diante dele (2 Coríntios 5:10).
Antes de Israel entrar na terra prometida, Moisés colocou o povo diante de uma decisão: "Coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam." (Deuteronômio 30:19) Eles tinham ouvido a Palavra e não podiam alegar ignorância.
Nós também estamos diante dessa escolha. E Jesus não apresentou vários caminhos; apresentou a si mesmo: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim." (João 14:6) Escolher a vida é, inevitavelmente, escolher Cristo.
A boa notícia é que a maldição que deveria cair sobre nós caiu sobre Ele. "Cristo nos redimiu da maldição da Lei quando se tornou maldição em nosso lugar." (Gálatas 3:13) A salvação não está na nossa bondade, religião ou capacidade. A nossa única esperança é receber pela fé o que Cristo fez por nós.
Mas não dá para escolher Cristo e continuar pertencendo ao mundo. "Vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus?" (Tiago 4:4) Não podemos receber o cálice da aliança e manter uma aliança secreta com o pecado.
Escolher Jesus é escolher a vida
Escolher Jesus não é só levantar a mão num culto. É um compromisso diário.
É entregar o coração por inteiro. Jesus não quer uma parte da nossa vida; quer governar tudo: pensamentos, decisões, relacionamentos, recursos, planos e futuro.
É permanecer nele. "Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês." (João 15:4) Muitos se aproximam de Jesus na hora da necessidade, mas o discípulo permanece com Ele em todas as estações.
E é viver para aquele que morreu por nós. "Ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." (2 Coríntios 5:15) A cruz não só nos salva da morte; ela muda a razão pela qual vivemos.
Diante da mesa
Cada vez que nos sentamos à mesa do Senhor, somos confrontados de novo com a aliança.
O pão diz: Ele entregou o corpo por mim. O cálice diz: Ele derramou o sangue por mim. E a cruz pergunta: como você vai responder a esse amor?
Não podemos dizer que não sabíamos. A verdade foi anunciada, o caminho foi revelado e o preço já foi pago. Jesus se comprometeu conosco até a cruz. Agora somos chamados a nos comprometer com Ele pela vida inteira.
A decisão está diante de cada um de nós: Cristo ou o mundo? Vida ou morte?
Que a nossa resposta seja a de Josué: "Eu e a minha família serviremos ao SENHOR." (Josué 24:15)
E que hoje você também possa dizer: Senhor, eu pertenço a ti e viverei para ti.