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Peniel Church Reading · UK
Todas as mensagens 18/01/2026 · Pr. Marcos Brandão

A vida que agora vivo

Paulo conheceu o amor de Cristo e passou a viver um relacionamento com Deus. Veja como Deus se relaciona conosco: como Pai, como amigo, como quem nos tem por tesouro e como dono da nossa vida.

Na semana passada, olhamos para Gálatas 2:20 e vimos que o grande amor de Deus foi derramado sobre a nossa vida. Quando entendemos esse amor, a nossa mente é transformada e, com ela, o nosso comportamento. Por isso Paulo diz: "Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim."

Ao se deparar com esse amor, Paulo teve os olhos abertos para a verdade, e a verdade restaurou seus valores e princípios. É um amor que nos acolhe, mas também mexe em toda a nossa estrutura e nos redefine como pessoa.

Hoje quero olhar para a segunda parte do versículo:

"A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim."

Aqui Paulo está falando de relacionamento. Ele não descreve uma doutrina fria, mas uma vida inteira vivida com Alguém.

Três encontros

Gosto de lembrar como esse relacionamento começou, porque ele não nasceu de um único momento.

O primeiro encontro foi com o próprio Jesus, na estrada de Damasco (Atos 9:1-9). Paulo, que ia perseguir os cristãos, cai por terra diante de uma luz do céu e ouve a voz do Senhor. Fica três dias cego, sem comer e sem beber.

O segundo encontro foi com Ananias (Atos 9:10-19). Ananias era um discípulo fiel, homem de oração, obediente à voz de Deus. Ele teve medo, porque sabia quem era Paulo, mas foi assim mesmo. Impôs as mãos sobre ele, e Paulo voltou a enxergar, foi batizado e recebeu o Espírito Santo. Um homem simples, de quem a Bíblia fala pouco, foi peça-chave no chamado do maior apóstolo da igreja.

O terceiro encontro foi com o corpo de Cristo. Paulo passou alguns dias com os discípulos em Damasco (Atos 9:19). O mesmo homem que antes perseguia a igreja agora estava sentado à mesa com ela.

Isso me ensina muito. A nossa vida é construída em relacionamentos, e o relacionamento com Deus é o começo de todos os relacionamentos saudáveis. Por isso precisamos entender como Deus se relaciona conosco.

Deus como nosso Pai

"Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: sermos chamados filhos de Deus, o que de fato somos!" (1 João 3:1)

Nos tornamos filhos pelo novo nascimento, aquele que Jesus explicou a Nicodemos (João 3:3). Somos gerados pela Palavra da verdade (Tiago 1:18; 1 Pedro 1:23). E somos filhos pela fé: aos que receberam Jesus e creram no seu nome, Ele deu o direito de se tornarem filhos de Deus (João 1:12; Gálatas 3:26).

Você não é um empregado tentando agradar o patrão. É um filho amado na casa do Pai.

Deus como nosso amigo

Deus chamou Abraão de "meu amigo" (Isaías 41:8). E o salmista diz que o Senhor confia os seus segredos aos que o temem (Salmos 25:14).

Amizade é intimidade, é ter acesso, é ser incluído. E amizade de verdade se baseia em amor mútuo: "O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade." (Provérbios 17:17) É esse o tipo de amigo que Deus é para nós, e é esse o tipo de amigo que Ele espera que sejamos para Ele.

Deus nos tem como seu tesouro

Deus escolheu o seu povo para ser o seu tesouro pessoal (Deuteronômio 7:6). Cristo se entregou para nos resgatar e formar um povo que fosse só dele (Tito 2:14). Ele amou a igreja e se entregou por ela (Efésios 5:25). E Paulo diz que, nas eras que hão de vir, Deus mostrará a incomparável riqueza da sua graça para conosco (Efésios 2:6-7).

Pense nisso: você é valorizado por Deus por toda a eternidade.

Deus como nosso dono

"Vocês não sabem que o seu corpo é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço." (1 Coríntios 6:19-20)

Pertencer a Deus não é perder a liberdade. É estar seguro nas mãos de quem pagou o preço mais alto por nós. Paulo entendeu isso, e por isso podia dizer: "A vida que agora vivo, vivo-a pela fé no filho de Deus."

Um relacionamento que gera propósito

É o relacionamento com Deus que nos leva a entender o amor e o propósito da vida.

"Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos." (Efésios 2:10)

Não somos salvos pelas boas obras, mas fomos salvos para elas. E, assim como Paulo, somos chamados a honrar a Deus com a vida.

Paulo disse aos coríntios que eles mesmos eram uma carta de Cristo, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em corações humanos (2 Coríntios 3:2-3). Gosto muito dessa imagem. Muita gente nunca vai abrir uma Bíblia, mas vai ler a sua vida.

Somos chamados também a confessar o nome de Jesus: "Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus." (Mateus 10:32)

E, assim como o amor de Cristo nos alcançou, somos chamados a anunciá-lo. "Pois o amor de Cristo nos constrange" (2 Coríntios 5:14). Somos embaixadores de Cristo, e por meio de nós Deus faz o seu apelo ao mundo: reconciliem-se com Deus (2 Coríntios 5:20).

Para o louvor da sua glória

Paulo diz que, quando ouvimos e cremos no evangelho, fomos selados com o Espírito Santo, a garantia da nossa herança, para o louvor da glória de Deus (Efésios 1:12-14).

Esse é o fim de toda a história: uma vida que, de onde quer que esteja, aponta para a glória de Deus.

Paulo encontrou Jesus na estrada, foi cuidado por um irmão fiel e acolhido pela igreja. A partir dali, a vida dele nunca mais foi só dele. E a sua? Que você possa dizer, como ele: a vida que agora vivo, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.

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