Se tirarmos Jesus da Páscoa, não sobra nada. Na cruz, Ele morreu em nosso lugar; no silêncio do sábado, a obra já estava consumada; no domingo, Ele ressuscitou e venceu por nós.
Esta semana fiz uma experiência: perguntei ao Google o que é a Páscoa. A resposta falava de renovação, de ovos que simbolizam nova vida, do coelho que os entrega, de pães doces, de cordeiro assado com a família e de um fim de semana prolongado. Os cultos na igreja apareciam no meio da lista, como mais uma tradição.
Jesus não apareceu na resposta.
O Google está enganado. A Páscoa não é sobre nós, nem sobre sentimentos ou tradições. É sobre a obra completa de Cristo: Ele veio, Ele morreu, Ele ressuscitou. Se tirarmos Jesus da Páscoa, não sobra nada, porque a Páscoa é Jesus.
"Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito." (Mateus 28:6)
Quero olhar com você para três momentos desse fim de semana que mudou a história: a cruz, o silêncio e a ressurreição.
A cruz: Jesus morreu em nosso lugar
"Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores." (Romanos 5:8)
Setecentos anos antes, Isaías já tinha visto essa cena: "Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados." (Isaías 53:5)
A cruz não foi apenas um símbolo. Foi uma substituição. Jesus não morreu como um mártir que deu a vida por uma causa. Morreu como substituto. Levou o nosso pecado, carregou a nossa culpa, sofreu a nossa condenação.
"Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus." (2 Coríntios 5:21)
Na cruz aconteceu a maior troca da história: nós recebemos o perdão, e Ele recebeu o castigo. O inocente tomou o lugar do culpado.
A cruz revela duas coisas ao mesmo tempo: a gravidade do pecado e a profundidade do amor de Deus. Nada foi deixado pela metade; tudo foi pago. E, se Jesus pagou o preço completo, nós não precisamos mais viver presos ao pecado.
O sábado: no silêncio, a obra estava completa
Antes de morrer, Jesus disse duas frases. "Está consumado" (João 19:30). E: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lucas 23:46).
"Está consumado" significa que nada mais precisava ser acrescentado. A obra da redenção estava concluída, e o preço estava totalmente pago.
Depois veio o sábado. Um dia de silêncio. O corpo de Jesus no túmulo, os discípulos escondidos, confusos, com medo. Para quem olhava de fora, parecia o fim.
Mas o silêncio do sábado não era derrota. Era o descanso de uma obra perfeita.
Isso me lembra o início da Bíblia: "No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou." (Gênesis 2:2) O verbo hebraico traduzido como "descansou" significa cessar, parar de fazer. É dele que vem a palavra shabat. Deus descansou porque a criação estava completa. E, naquele sábado, Jesus descansou porque a redenção estava completa.
Enquanto os discípulos estavam confusos, a salvação já estava garantida. O que precisava ser feito, Ele fez. O que precisava ser pago, Ele pagou.
Talvez você esteja vivendo um "sábado" agora, um tempo em que Deus parece em silêncio. Lembre-se: o silêncio de Deus não é ausência de Deus. Muitas vezes é só o intervalo antes do domingo.
E isso muda a nossa forma de viver. Não precisamos tentar conquistar a salvação. Vivemos a partir de uma obra que já foi consumada.
O domingo: Jesus venceu por nós
Bem cedo no domingo, as mulheres foram ao túmulo e ouviram do anjo: "Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito." (Mateus 28:6)
"Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos." (1 Coríntios 15:20)
A ressurreição confirma tudo o que Jesus fez. Se o preço foi pago na cruz, a ressurreição prova que o pagamento foi aceito. Como Paulo diz, Ele "foi entregue à morte por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação" (Romanos 4:25).
No domingo, a morte foi vencida, o pecado perdeu o seu poder e a justiça foi estabelecida. A ressurreição declara que o Pai aceitou a obra, que o sacrifício foi suficiente e que a nova vida está disponível.
Jesus não apenas morreu por nós; Ele ressuscitou por nós. Não apenas nos perdoou; nos deu uma vida nova.
"Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!" (2 Coríntios 5:17)
Quem está em Cristo não vive mais como antes. Vive em novidade de vida.
Você já recebeu?
A Páscoa é a revelação completa de Jesus. Na sexta, Ele morreu por nós. No sábado, a obra já estava completa. No domingo, Ele venceu por nós.
Não há nada que possamos acrescentar. Não é por obras, nem por mérito. É pela graça.
Por isso a pergunta desta Páscoa não é se você comeu chocolate ou se reuniu a família, por melhores que essas coisas sejam. A pergunta é: você já recebeu o que Jesus fez por você?
Jesus já fez tudo. O preço já foi pago, o caminho já foi aberto, a salvação já está disponível.
Só precisamos crer, receber e entregar a vida a Ele.
Feliz Páscoa. Ele não está aqui. Ressuscitou!