Jesus não pediu que fôssemos conhecidos pelo que sabemos ou fazemos, mas pelo amor. Um mandamento, um exemplo, atitudes concretas e um segredo para conservar tudo isso: permanecer na videira.
Pelo que Jesus é conhecido? Se você perguntar às pessoas, muitas vão responder: pelo seu amor.
E é exatamente pelo mesmo motivo que nós, seus discípulos, devemos ser conhecidos.
"Um novo mandamento dou a vocês: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros." (João 13:34-35)
Jesus não apresentou o amor como sugestão, nem como algo para praticar quando for conveniente. Deu um mandamento. E estabeleceu o padrão: "como eu os amei". Não amamos de acordo com o que sentimos, mas de acordo com o modelo que recebemos de Cristo.
E acrescentou: com isso todos saberão que vocês são meus discípulos. O discípulo não é conhecido só pelo que fala, pelo que sabe ou pelo que faz. É conhecido pela maneira como ama.
Um mandamento e um exemplo
O amor ocupa o centro da vida cristã. Jesus resumiu a Lei em amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos (Mateus 22:39). E esse amor não depende de personalidade, afinidade ou conveniência. É um mandamento.
Mas Jesus não só ensinou sobre o amor; Ele o demonstrou. Serviu, perdoou, acolheu e se entregou. "Vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus." (Efésios 5:2)
Paulo disse aos tessalonicenses que nem precisava escrever sobre o amor fraternal, porque eles mesmos tinham sido ensinados por Deus a se amarem (1 Tessalonicenses 4:9). Quanto mais conhecemos a Deus, mais aprendemos a amar as pessoas. Maturidade espiritual não é só conhecer mais; é amar melhor.
Amor que se vê
O amor bíblico não fica nas palavras. Assim como a fé se mostra nos passos, o amor se mostra nas atitudes.
Amar é participar das necessidades do outro. Jesus disse que, quando alimentamos quem tem fome, damos de beber a quem tem sede e acolhemos o estrangeiro, é a Ele que fazemos (Mateus 25:35). Paulo pede: "Compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades. Pratiquem a hospitalidade." (Romanos 12:13) Amar é perceber o outro e não viver uma fé indiferente a quem está ao lado.
Amar é servir. "Sirvam uns aos outros mediante o amor." (Gálatas 5:13) No Reino de Deus, grandeza não é ser servido; é servir. Uma igreja saudável não é feita de pessoas que perguntam "o que podem fazer por mim?", mas de pessoas que perguntam "como posso servir?".
Amar é perdoar. "Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo." (Efésios 4:32) Onde há pessoas, há diferenças, falhas e decepções. O amor não exige pessoas perfeitas; aprende a perdoar pessoas imperfeitas, assim como Cristo nos perdoou.
O que o amor produz
"Quem ama seu irmão permanece na luz, e nele não há causa de tropeço." (1 João 2:10) Quando o amor governa os nossos relacionamentos, muitas raízes de divisão, ressentimento e amargura nem chegam a brotar.
E Paulo diz que quem ama o próximo cumpre a Lei; o amor é o cumprimento da Lei (Romanos 13:8-10). É impossível separar espiritualidade de relacionamento. A nossa relação com Deus aparece na forma como tratamos as pessoas.
Pessoas que decidiram amar
A Bíblia não traz só conceitos sobre o amor; traz pessoas que decidiram amar.
José tinha todo o poder para se vingar dos irmãos que o venderam. Em vez disso, beijou cada um deles e chorou com eles (Gênesis 45:15). Escolheu perdoar.
Jônatas amou Davi como amigo leal, mesmo quando essa amizade lhe custava o trono (1 Samuel 20:17). O amor verdadeiro não existe só quando tudo nos favorece.
Paulo escreveu aos coríntios que, por amor a eles, gastaria tudo o que tinha e se desgastaria pessoalmente (2 Coríntios 12:15). Um amor que investe e paga o preço pelo crescimento dos outros.
E eu não posso deixar de olhar para vocês, irmãos da Peniel. Quantas vezes vi o amor de Deus aparecer por meio de vocês: gente que ora uns pelos outros, que ajuda quando alguém está passando por dificuldade, que visita, serve e encoraja, que celebra junto, chora junto e caminha junto. Isso é precioso. Precisamos valorizar o que Deus está construindo entre nós.
Como conservar esse amor
Se esse ambiente de amor é tão importante para o Corpo de Cristo, como preservá-lo? Jesus responde:
"Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto se não permanecerem em mim." (João 15:4)
A palavra-chave é permaneçam. E permanecer não é ficar parado. É prosseguir no caminho que é Cristo, deixando que os processos dele aconteçam em nós.
O ramo não dá fruto porque se esforça para parecer árvore. Dá fruto porque está ligado à videira. O fruto não é nosso; vem dele. O amor não é nosso; vem dele. A comunhão e a alegria que ela gera também vêm dele.
Quanto mais permanecemos em Cristo, mais o que está em Cristo começa a aparecer em nós: o seu amor, a sua graça, o seu perdão, o seu caráter. O segredo não é só tentar amar mais. É permanecer mais perto de Cristo.
A marca do discípulo
A marca de um discípulo de Jesus não está só no que ele conhece, nos dons que tem ou no ministério que exerce. A marca do discípulo é o amor. E só conseguimos amar desse jeito se permanecermos ligados à fonte.
Cristo é a videira; nós somos os ramos. Que Deus nos ajude todos os dias a permanecer nele e a mostrar aos outros o mesmo amor que recebemos dele.
E que as pessoas possam olhar para nós, para as nossas casas e para a nossa igreja e dizer: "Eles são discípulos de Jesus, porque amam uns aos outros."